De?

By {JFD} |

Causas naturais. Finito.

OBAMANIA

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Pelo «Kontrastes 3.0» tenho-me dedicado particularmente às eleições americanas deste ano. Por esse mesmo motivo não vejo necessidade de repensar toda a corrida de cavalos por aqui. No entanto, parece essencial, à luz deste acontecimento, escrever umas notas sobre a «Obamania». Primeiro, porque Barack Obama pode vir a ser o próximo presidente dos EUA, sucedendo (tarde) a George W. Bush. Segundo, porque ele veio do nada e tornou-se num sucesso mediático.

Barack Obama entrou na corrida presidencial como um outsider, alguém que ao cabo de algumas semanas desistiria e juntaria o seu pequeno eleitorado ao eleitorado do favorito democrata. No entanto, num curto espaço de tempo, a lógica inabalável mostrou-se errónea. Barack Obama disputava com Hillary Clinton a preferência para a candidatura democrata. O braço-de-ferro tornou-se prato forte das eleições deste ano.

Desde os movimentos populares de contestação à guerra do Vietname, que não se via as camadas jovens tão empenhadas civicamente. Barack Obama personificou o sonho de uma América nova, aberta, global, dialogante, pacífica, cooperante. Uma América anti-imperialista.

Obama trás consigo uma carga simbólica que ultrapassa largamente a sua pessoa. Obama é um conceito novo: candidato negro, candidato jovem, candidato especial. Obama está a um passo de se tornar o special one da política internacional. Não é por acaso que José Sócrates e Luís Filipe Menezes começam a copiar o seu estilo. Curiosamente Obama poderá ter maior expressão enquanto sonho do que enquanto realidade. Derrotado será sempre um vencedor, nas cabeças pairaram: e se ...?

[João Ferreira Dias]


"OS BANCOS PRECISAM DE AUMENTAR OS SEUS LUCROS"

By shark | [repartições] , ,

Se é inegável a preponderância da banca enquanto pedra basilar do funcionamento da economia que temos, sobretudo no que respeita ao tecido empresarial e à oscilação bolsista, começa a tornar-se demasiado óbvia a pele de carrascos que os bancos começam a vestir relativamente ao que definimos como classe média.
De carrascos e de coveiros, pois o aviso de que o título deste texto dá conta prenuncia o apertar do seu poderoso torniquete nas depauperadas (endividadas) condições financeiras das famílias que o negócio do crédito foi aos poucos tornando reféns.

A contradição entre os resultados fabulosos que em cada ano transpiram a saúde da banca (mesmo o BCP, em plena convulsão, mantém um nível de lucro apreciável) e o aparente desplante (vulgo lata) com que se defende a necessidade de os consolidar (leia-se esmifrar ainda mais o cidadão sem excedentes nem poupanças) salta à vista de qualquer leigo.
Para a generalidade da população mobilizada para combater a cada vez mais difícil batalha contra o fim do mês, o reclamar de lucros por parte das instituições bancárias que se traduzirá na revisão em alta dos spreads (os mesmos que baixaram ao ponto de viabilizarem compromissos hipotecários a um prazo de cinquenta anos, garantindo o endividamento antecipado da próxima geração) soa insultuoso.
E ameaça fazer disparar o número de vidas escangalhadas pela parceria entre a ganância bancária e a mania portuga de insistir em correr mais depressa do que os próprios pés o permitem.

De pouco adianta imputar responsabilidades a qualquer dos Governos que permitiram o fartar vilanagem da sedução consumista, sem qualquer controlo sério que pudesse evitar a proliferação dos excessos no contexto de uma luta desigual entre gestores ambiciosos, estrategas habilidosos e publicitários cada vez mais eficazes e o mexilhão do costume, o Zé Povo, incapaz de resistir à tentação perante o carro novo, o plasma ou a crónica de férias do vizinho.
E de nada vale denunciar a irresponsabilidade (na maioria dos casos simples ignorância ou incapacidade de lidar com as novas regras deste jogo sem lei) das famílias que aos milhares se foram empenhando e deixando arrastar pela enxurrada da euforia que a Europa dos ricos e a tentação a cada esquina facilitaram.

Os números não mentem e muitos pescoços já sentem a pressão da corda. E com famílias aos milhares a verem-se privadas dos bens que tinham como indicador do nível de vida que julgavam possível, os bancos não podem continuar a esticá-la.

É que o medo que se vai instalando aos poucos destas garras inflexíveis da dinâmica sanguessuga, o boca a boca dos caídos em desgraça cada vez menos envergonhados de a assumirem por existirem culpados flagrantes a apontar está em vias de criar uma reacção alérgica ao negócio desalmado que a banca cada vez menos conseguirá desmentir com a cosmética publicitária e outras.

A cama que os bancos farão se insistirem neste divórcio com a componente humana da actividade financeira, a voragem do lucro, será aquela onde se irão deitar não tarda.
É que cada vez mais se sente o apelo de trocar a ameaça dos balcões pela relativa segurança dos colchões.

E nessa cama específica não há lugar para caixas desempregados e para gestores de conta às moscas...

ISTO DOS BLOGUES COLECTIVOS

By {JFD} | [repartições] ,


A blogosfera é um vida dentro de outra vida. Não há dúvidas. Mas não é um trabalho intelectual, é um hobby intelectual, isto porque a grande maioria daqueles que por estes lados vão escrevendo não retiram outros frutos que aqueles provenientes do reconhecimento (esse quem nem sempre vem). Se questionarmos grande parte dos bloggers convictos a maioria estaria disposta a blogar como modo de vida, mas infelizmente a blogosfera não lhes dá sustento. É por isso que é complicado manter um blogue, particularmente quando esse blogue é colectivo e reune autores de blogues individuais. Porque a vida não pára nem espera por nós, o blogue vai ficando.

Ao contrário do que possa parecer, este post não é de despedida, pelo contrário, é precisamente o oposto. O que quero é relembrar que este blogue é como um café onde nos reunimos, não precisa de ser todos os dias, basta cá virmos dar dois dedos de conversa. Isso é que é importante. O «Registo Provisório» é uma esplanada de dias soalheiros. Continuemos.

[João Ferreira Dias]

E uma esquerda patriótica para Portugal?

By Flávio Gonçalves | [repartições]

Na passada segunda-feira a correr os canais da MEO à procura de alguma porcaria que não fizesse mexer o dedo acabei por encontrar uma biografia, tendenciosa quanto baste, do Fidel Castro a passar no National Geographic, a curiosidade travou-me o dedo.
Aprendi que o jovem Fidel universitário entrou na política revolucionária pelo nacionalismo, aparentemente o comunismo acabou por ser uma necessidade - mais uma moeda de troca - quando a guerrilha partiu para as montanhas e os soviéticos, beneméritos, providenciaram os recursos necessários...
Enfim, já Ceresole afirmava o patriotismo de Fidel Castro, na Argentina mantenho contacto com os trotsquistas da Esquerda Nacional, a Revolução já recebeu duas missivas da embaixada da Venezuela, por toda a América Latina a esquerda - comunista ou não - é sinónimo de patriotismo e do mais dedicado nacionalismo, o Che e o Perón fundem-se num folclore único.
Aqui ao lado em Espanha também o nacionalismo é sinónimo de nacionalismo radical, lá longe na Rússia e na Ásia os comunismos maoistas, coreanos, vietnamitas e eslavos cantam a independência e o orgulho pátrio... e nós? Para quando uma esquerda patriótica para este pobre Portugal?

[Flávio Gonçalves]

ALEGRE RECEIO DE MENORES

By {JFD} | [repartições] ,

Convenhamos que só tem receio de oposição quem não tem confiança em si mesmo. E isso, entre outras coisas, é um sinal de fraqueza. Em política é ainda pior. Quando o Partido Socialista e o Partido Comunista Português se sentem ameçados com a possibilidade de Manuel Alegre avançar para a criação formal de um partido político, então temos consciência que temem pela monopolização do espectro político nacional. A oligarquia nunca admitiu ingerências no seio do lóbi.
[João Ferreira Dias]

as barreiras ideológicas do sistema

By Flávio Gonçalves | [repartições]

Recebi há pouco um cartaz da revista socialista revolucionária francesa Rébellion, o cartaz é extremamente simples: um A3 branco com os dizeres "derruba as barreiras ideológicas do sistema" (que achei ser um nome giro para animar este postal) e o desenho de um tijolo a partir uma vidraça. Há alguns anos tive também contacto com esta revista, nem recordo porquê o editor deles achou por bem oferecer-me uma assinatura de um ano, nem sei onde terá encontrado o meu contacto. Não serviu de grande coisa, no que diz respeito à língua francesa sou um verdadeiro analfabeto,
Mais recentemente e após ter aceitado dirigir a revista Revolução (certamente alguns de vós já sabiam que era eu o director da publicação??) achei por bem levar à letra este lema dos socialistas franceses: criar uma publicação verdadeiramente libertária, que não se restrinja por nenhum dogma ideológico, uma revista para o século XXI, os autoritarismos convencionais desapareceram no século XX, o comunismo foi derrotado economicamente, o nazismo e o fascismo foram derrotados militarmente e, portanto, assassinados intelectualmente (sorte a que escapou o comunismo).
Verdade seja dita que o panorama de publicações libertárias em Portugal é deprimente, temos duas revistas anuais (Utopia e A Ideia) que, por serem anuais, acabam por conter alguma doutrina mas são pouco divulgadas e existem mais por teimosia dos seus editores - que muito louvo - do que da necessidade de atrair sangue novo e romper com dogmas com os quais a juventude actual cresceu. Era necessária uma revista multidisciplinar!
Certamente que muitos odeiam o trabalho que eu e mais uma mão cheia de pessoas achamos que devíamos fazer, não existem revistas artesanais actualmente, não existem as mil e umas fanzines feitas em máquina de escrever e com recortes do meu tempo de juventude, fora o jornal bimestral A Batalha (um veterano fundado em 1919), que é ainda um exemplo de combate ético, da minha juventude. Por uma série enorme de factores cozinhou-se a receita da Revolução (terceiro número já em preparação) que é um esforço conjunto de - além de mim, obviamente - um marxista, um anarquista e um eco-anarquista, e ainda de alguém ligado à esquerda nacional... ou seja, inspirados tanto pela Green Anarchist original quanto pela Rébellion francesa, criou-se algo necessário: uma mescla de textos libertários, música punk, marxismo, socialismo patriota... confusão esta que tem agradado a algumas pessoas e que muita confusão tem causado a outras (admito inclusive que estou curioso acerca da opinião do nosso companheiro Carlos José Teixeira) já que não entendem o propósito de tal revista.
Este postal, escrito de improviso, não era suposto ser acerca da revista, falo dela não para a promover (ou a mim, nós até preferimos não assinar a maior parte dos textos da revista) mas como exemplo único, pelo menos em Portugal, de algo que conseguiu - e em apenas dois números - romper com as barreiras ideológicas que o sistema nos impõe: esquerda e direita actualmente já não fazem sentido nenhum, ou ainda acham que existe uma diferença real entre o PS e o PSD???
Ser fascista ou antifascista actualmente, num mundo no qual o fascismo nem sequer existe politicamente, é uma imbecilidade. O despotismo, a monarquia, a república, o comunismo, o fascismo e os regimes totalitários (como Salazar e Franco) tiveram e seu tempo, ao longo da História as ideologias foram surgindo, funcionaram durante algum tempo, depois surgiram novas ideologias... pois bem, nota-se que a partidocracia actual não funciona, estamos já no século XXI, não será altura se surgir algo realmente novo?
Mas até lá vou contribuindo com uma síntese prática, uma convergência de vontades revolucionárias ou um bloco negro ideológico se preferirem, contra o actual sistema. Esperemos que esta semente dê frutos e que o futuro seja além das barreiras que o sistema criou para manter a juventude rebelde ocupada a combater entre si em vez de o atacar a ele!

[Flávio Gonçalves]